domingo, 22 de novembro de 2015

Mostra Fotográfica Promovida por Acadêmico do Curso de Ciências Socais da UFPA, Será Realizada Neste Mês de Dezembro no Colégio Celso Rodrigues.














































Colégio Celso Rodrigues Completa 12 anos de bons serviços prestados a população.

Histórico de quem foi Celso Rodrigues, cidadão que foi homenageado, dando nome a Colégio.


CELSO RODRIGUES DA CRUZ
HOMENAGEM IN MEMORY

Em 23 de Agosto de 1895, na cidadezinha de Cearámirim, interior do Rio Grande do Norte, em pleno sertão nordestino, nascia Celso Rodrigues da Cruz, filho de Francisco Rodrigues da Cruz e Joana Rodrigues da Cruz. Celso Rodrigues – como ficaria conhecido – já nos primeiros meses de vida, foi vítima de doenças causada por problemas de desnutrição, conseqüência da fome e da miséria, que na ocasião, assolava sua região de origem.
Em 1901, aos seis anos de idade, chega ao Pará com sua família e em companhia de outros imigrantes procedentes daquela região. Em busca de melhores condições de sobrevivência, deixam para traz a miséria e a pobreza da aridez nordestina e deparam-se com a fartura de rios e igarapés, matas tropicais de árvores nobres e frutíferas, além de muitas áreas de plantio e chuva o ano inteiro. Ali, um lugarejo chamado Taguába, antes habitado por estrangeiros, agora era para eles, não apenas uma nova fonte de riquezas naturais, mas a esperança e a certeza de uma vida mais digna. Começava assim, a trajetória de um grande líder e um apaixonado tauaense de coração.  
Diante das dificuldades encontradas no inicio da formação da colônia, onde não existiam escolas ou mesmo professores dotados para a formação de suas crianças, apenas o senhor Major Cornélio Peixoto dedicava a poucos, suas habilidades educacionais. Inteligente e astuto, Celso Rodrigues logo ganha a simpatia do professor ao aprender o domínio das operações básicas de matemática e aritmética, além das noções principais da escrita e da leitura. A rigidez da caligrafia torna a ele obrigatório o aprendizado do Paleógrafo, escrita de traços itálicos e de rigor excessivo, tornando-a quase uma arte.
Foi assim que Celso Rodrigues, mesmo sem nunca ter freqüentado um banco de escola, conseguiu superar as dificuldades da época e ser reconhecido como um homem de muita habilidade, entre elas, a aptidão política. Como homem comum, Celso Rodrigues foi – não necessariamente na ordem – agricultor, comerciante, funcionário público, feirante, voluntário e até desempregado. Mas foi mesmo como líder político que ele se destacou na história do município. 
Apesar de morar desde muito criança no Pará, Celso Rodrigues cresceu sem perder sua identidade. Homem de costumes festivos, herança cultural nordestina, ele organizou por muitos anos as comemorações juninas e a festa do Padroeiro Santo Antonio de Lisboa, a pedido do Pe. Alcides Paranhos.  Durante muitos anos foi tesoureiro e um dos maiores incentivadores do arraial do padroeiro.
Na véspera de São João, a tradição das fogueiras, das festas animadas pelo forró, das muitas comidas típicas, seja de origem nordestina ou paraense, tinha ainda uma outra atração esperada por todos, a subida do balão de São João, confeccionado por ele e um amigo, que media aproximadamente 06 metros de altura por 03 de largura, feito todo em papel de seda e tendo sua estrutura de palmeira de Miriti, em tempo que durava quase um mês para ficar pronto. O balão alcançava alturas impressionantes sem jamais ter havido – pelo menos nunca se denunciou – quaisquer problemas com queimada ou danos particulares. Tudo isso, em uma epoca que eram possivel tais arrobos.
Celso Rodrigues também organizava blocos carnavalescos. O mais tradicional era o bloco dos caiados”, que acabou por tomar outros rumos e ter uma função muito mais emocional do que o simples prazer de brincar o carnaval. A idéia criada pelos brincantes do bloco – sem que seu presidente soubesse – era esconder-se do rigor dos pais e namorar com suas filhas.
Seu ingresso na vida política deu-se através de sua participação incisiva na vida social da colônia. Aos poucos, foi conseguindo o seu espaço até ser considerado um importante líder comunitário. Foi presidente local do PSD – Partido Social Democrata, que era comandado no estado pelo Então Governador Coronel Magalhães Barata. Foi Fiscal da Receita Municipal, Delegado de Policia e Chefe Político da vila. Na época, ambas as funções, autorizada pelo chefe do executivo estadual, dava a ele a autoridade para resolver assuntos de interesse público e pleitear melhorias na comunidade.
Aos poucos foi se tornando um líder Influente no meio político da esfera estadual e assim, tornou-se um Defensor Aguerrido da emancipação política do município. Celso Rodrigues sabia que, com o crescimento progressivo da vila, eram necessários investimentos em obras e serviços públicos. Foi então que ele empenhou-se por conseguir junto ao então governador do estado do Pará, Senhor Zacarias Assunção, a construção dos primeiro “Grupos Escolares”. Um na 3ª trav. (onde atualmente funciona a unidade de saúde do km 12), outro na sede do município (este já demolido) e o terceiro na vila do Espírito Santo do Tauá (o único ainda em atividade). Esssas conquistas foram decisivas para o inicio da construção de uma educação mais qualificada para os moradores do município.
Em 1959, ao eleger-se o primeiro vereador da então vila de Santo Antonio do Tauá, pertencente a Vigia de Nazaré, Celso Rodrigues dá um passo importante em busca da definitiva tutela do povo tauaense.
Em seu mandato como vereador, foi presidente da Câmara de Vigia e em 1961, tornou-se Prefeito Municipal em exercício. Acompanhado de outras importantes figuras, ele travou significantes batalhas em prol da emancipação política do município, o que vem a ocorrer no dia 04 de abril de 1962, através da Lei n.  /1962. Após 60 anos, desde sua chegada à colônia, finalmente o “velho Celso”, como era carinhosamente chamado por aqueles que o admiravam, viu sua velha Taguába tornar-se definitivamente um município.
O sonho de ver Santo Antonio do Tauá com liberdade política estava consumado, mas ele ainda tinha um grande desejo, eleger-se também o primeiro prefeito constitucional. Seria a oportunidade de colocar em prática o sonho de ajudar o seu municipio. No entanto, a 1ª eleição direta para a escolha do novo prefeito, torna-se para o “velho Celso” um misto de conquista e frustração. O mais importante líder político da época e maior articulador da emancipação do município foi traído nas urnas por seu próprio povo. O tenente Manoel Cassiano Lima, ex-prefeito de Vigia, homem de grande influencia e alto poder aquisitivo é eleito o 1º prefeito constitucional da história de Santo Antonio do Tauá.
Após a derrota, desiludido e abatido o “velho Celso” passa agora a ser perseguido por seus adversários políticos.  Após alguns anos amargando decepções políticas, o “velho Celso” tambem se vê obrigado aos poucos a desfazer-se de seus bens materiais. Ao perder o interesse pela política, ele resolve também afastar-se definitivamente da velha Taguába e vai morar em Belém.
Saudoso e apaixonado, amargando uma vida de privações, Celso Rodrigues não esconde de ninguém os piores dias de sua vida, desde 1901, quando aqui chegou.  Sem emprego nem dinheiro para manter-se, ele resolve colocar uma barraca de frutas e legumes na feira da Pedreira, em um bairro da capital do estado.  Depois de muitos anos de sacrifício, ele nem poderia imaginar que a vida ainda reservaria ao “velho Celso” uma grande alegia. Seu retorno à sua querida Taguába.
Certo dia, ali na feira da Pedreira, Celso Rodrigues foi reconhecido por um velho amigo que passara visitando as obras do mercado do bairro da Pedreira. O então prefeito de Belém, Dr.Moura Carvalho não se conteve ao ver o velho defensor de sua terra, que lutou e participou de batalhas políticas ao lado de tantas personalidades importantes do estado, na condição de feirante.
Homem de grande prestígio junto ao governador do estado, o doutor Moura Carvalho o fez regressar a sua terra querida e o nomeou Interventor Fiscal da Coletoria de Santo Antonio do Tauá, em uma volta por cima que ele jamais poderia pensar.  
Nos anos que se passaram entre 1969 a 1976, Celso Rodrigues viveu na sua querida cidade, mas já não participava ativamente das decisões políticas, mesmo que ainda, frequentemente visitado por lideranças políticas do estado como o senador João Menezes, acabou tornando-se para muitos,  um habilidoso conselheiro político.
 Em maio de 1975, a morte de seu filho mais velho, Francisco Rodrigues da Cruz Neto, deixa-o novamente triste e abatido. Aposentado, Celso Rodrigues retornaria novamente para Belém onde conviveu até seus últimos dias de vida. Apesar dos muitos problemas de saúde, o “velho Celso” jamais deixou de regressar a sua eterna paixão. Sempre que podia, ele voltava para rever os amigos, sua gente, sua história.
                Em 22 de agosto de 1979, no mesmo dia em que iria completar mais um ano de vida, sua velha Taguába o acompanhou até o seu ultimo adeus. Em seus 83 anos de vida ele teve o privilégio de viver os extremos de sua história pessoal: da miséria e da seca nordestina a fartura e muitos bens materiais; do começo dificil em sua velha Taguaba, a rodas influentes na política do estado. Celso Rodrigues morreu feliz, ao lado de sua família, com a consciência do dever de cidadão Tauaense cumprido.             
Na ocasião em que o estado construía a maior escola publica de Santo Antonio do Tauá, um grupo de professores, liderados pelo senhor Evandro Brioso, professor e historiador tauaense, escolheram o nome de Celso Rodrigues para dar designação a importante obra. E em 22 de novembro de 2002, o governador do estado, doutor Almir Gabriel, inaugurou o Colégio Estadual Celso Rodrigues, estando seu nome, definitivamente consolidado na história do município.  
Em setembro de 2005, a Prefeitura Municipal de Vigia de Nazaré, o homenageou em grande cerimônia pública, ocasião da inauguração do Espaço Cultural daquele município, dando honras aos relevantes serviços prestados por ele aquela comunidade.
                             
 Um dia ele disse:           
“Da vida, meus filhos, a única herança que se deve levar é a moral e a honestidade”. 

 Celso Rodrigues da Cruz


   


 
                                           Foto do Ato de Inauguração do Colégio: Dr. Almir Gabriel e Celso Cruz